Constelação Familiar Sistêmica

Constelação Familiar Sistêmica.

É uma metodologia com finalidade terapêutica Desenvolvido pelo filósofo alemão Bert Hellinger, que é também pedagogo e psicoterapeuta, onde segundo ele, através de um estudo, concluiu-se que a maior parte dos nossos problemas, são de origem sistêmica, ou seja, tiveram origem nos relacionamentos familiares.

A família é um sistema onde os membros se relacionam sob influência de um forte vínculo emocional e com interesses comuns. Essa influência aparece principalmente nos comportamentos dos indivíduos do sistema atuando como um banco de dados de crenças e padrões de comportamento e fazendo o indivíduo a assumir papeis, obrigações, medos, culpas e outros sentimentos de forma inconsciente. Alguns desses padrões se repetem por anos e até décadas, atravessando gerações, assemelhando-se a uma herança comportamental sistêmica.

O processo de constelação familiar sistêmica consiste em acessar informações do campo de memória coletivo familiar com a intenção de obter conhecimento sobre padrões de comportamento ou atitudes dos antepassados que influenciam de forma inconsciente alguns comportamentos atuais do indivíduo, no que diz respeito às relações dele com outras pessoas e com outros sistemas, ou a identificação de pontos de desequilíbrio nas relações que são chamados de emaranhamentos sistêmicos.

A Constelação Familiar Sistêmica tem por objetivo a busca do equilíbrio energético nas inter-relações humanas, a partir do pressuposto de que a consciência individual transcende a vida física e fica armazenada em campos de memória coletivos de cada sistema ao qual um indivíduo pertence ou se relaciona.

Diferentemente de algumas terapias individuais que promovem uma maior conscientização das percepções do indivíduo em relação ao meio em que ele vive, a constelação familiar permite uma visão em perspectiva das relações do indivíduo, permitindo maior compreensão de como ele afeta e é afetado pelo sistema ao qual pertence.

O sistema abordado na constelação é o sistema familiar. Ao longo das gerações as memórias individuais vão sendo acumuladas nessa consciência coletiva e acabam afetando ou interferindo nas consciências individuais de cada membro, na maioria das vezes, de forma completamente inconsciente.

Pressupõem-se também, que o indivíduo ao longo da vida sente uma necessidade de honrar os antepassados, por terem sido eles que lhe deram esse presente que é a vida.

Cada indivíduo nasceu, por conta dos relacionamentos entre os seus antepassados, que são os pais, os avós, os bisavós, etc…

Dessa forma o indivíduo busca compensar um processo que denominamos o “ equilíbrio entre o dar e receber”. O indivíduo busca compensar o presente que recebeu dos antepassados, que é a vida, ou a oportunidade de viver.

Os relacionamentos entre nossos antepassados foram muitas vezes, fortemente influenciados por comportamentos inerentes ao contexto, à época, à situação econômica, à etnia, à religião, etc…

Esses comportamentos e impressões à respeito da vida, do mundo e de tudo, ficaram gravados na memória sistêmica e, ao longo da vida, são inconscientemente acessados pelos indivíduos nos momentos de escolher, de se comportar perante um fato, diante de um acontecimento, uma decisão.

No intuito de honrar os antepassados, o indivíduo é estimulado a repetir padrões de comportamentos que podem ser anteriores a sua existência. Por motivos óbvios, alguns desses padrões se tornaram completamente inadequados ao contexto atual e causam os  chamados conflitos internos, uma vez que o indivíduo percebe que está se comportando de maneira inesperada, mas não consegue se “livrar” desse padrão, ou sequer percebe qual é o padrão inadequado. Ele está passando por um processo de desequilíbrio entre o desejo e o sentimento de obrigação.

Em algumas vezes, esse padrão de comportamento de honrar os antepassados pode se tornar o que chamamos de “honra a um equívoco”, e interferir de forma muito negativa nos relacionamentos do indivíduo.

Os desequilíbrios no campo sistêmico familiar podem, por exemplo, estar relacionados a comportamentos de exclusão ou de quebra de hierarquia familiar, entre outros. Muitas vezes esses desequilíbrios passam desapercebidos  por uma geração e são sentidos, por exemplo pelos netos, sem que tenham afetado o pai ou a mãe daquele indivíduo.

No processo de constelação familiar sistêmica, essas memórias e informações contidas no campo sistêmico são acessadas de forma consciente e a partir delas o indivíduo tem a oportunidade de ressignificar as suas interpretações sobre fatos ocorridos no passado ou até mesmo ter informações sobre antepassados, que ele desconhecia.

Existem formas distintas de se aplicar o processo de constelação familiar sistêmica e na prática, são eficazes, cada uma à sua maneira. Isso se dá pelo fato de que as informações contidas no campo de memória sistêmico podem ser acessadas através de diversas formas ou através de diversos “canais” que podem ser individuais ou coletivas, podem ser através de pessoas que representem os indivíduos de uma família, podem ser através de objetos ou bonecos que simbolizam os comportamentos, os desejos e as relações humanas, ou seja, os elementos do movimento constelar.

O que contribui também para que tenhamos diversas formas de constelações é que pode-se constelar um fato acontecido, pode-se constelar um desejo, ou uma tomada de decisão, pode-se constelar, por exemplo, uma carreira profissional que se pretende seguir, usando informações do campo sistêmico para saber se a sua decisão na hora de escolher sua profissão está embasada em um desejo seu, e se ela está sob interferência de fatos ou desejos antepassados.

No final a decisão será sempre da pessoa, mas a partir de uma maior compreensão das relações sistêmicas as quais ela está inserida.